de pensamento enferrujado
e língua rasgada,
vou abaixo com o peso
dum pensamento
apodrecido.
faz calor
demasiado calor –
derreto as palavras pensadas
sem vislumbre dum
pé molhado.
à sombra dum possível conforto,
rastreei donde vêm as falácias;
numa noite mal aconchegada,
raparo no voo irregular dos desejos
e afinco-me ignóbil.
imóvel será também o cerne da dúvida
pouco espantada com a estagnação –
virão as curvas trazer surpresa,
não a mim, mas àquilo que me foge,
sem puxar o lustro de uma praia vazia.
irremediável poderá ser o meu destino,
estancado neste horizonte transversal:
continuo longo
mas já não desdenho
o que vagueia no meu olhar