Viragem das horas vagas

poesia curta poesia longa

voo irregular dos desejos

de pensamento enferrujado
e língua rasgada,

vou abaixo com o peso
dum pensamento
apodrecido.

faz calor
demasiado calor –

derreto as palavras pensadas
sem vislumbre dum
pé molhado.

à sombra dum possível conforto,
rastreei donde vêm as falácias;

numa noite mal aconchegada,
raparo no voo irregular dos desejos
e afinco-me ignóbil.

imóvel será também o cerne da dúvida
pouco espantada com a estagnação –

virão as curvas trazer surpresa,
não a mim, mas àquilo que me foge,
sem puxar o lustro de uma praia vazia.

irremediável poderá ser o meu destino,
estancado neste horizonte transversal:

                                          continuo longo
                   mas já não desdenho
o que vagueia no meu olhar

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