Viragem das horas vagas

poesia curta poesia longa

subtilmente luz

a estrada alonga-se e demora
perante o meu choro
estreito

urge no que vejo
uma sensação mais densa
mais compacta 
não lhe agarro
o rasto
terá que ver com
o verão já ir a meio

subtilmente luz
o meu corpo diz de si
no final das contas
é ele quem manda
e não as flores pensadas
que nunca cheirei

alonga-se a estrada
e o meu choro demora
o peito estreito impede
lamúrias sem antes ver
para que lado se põe o sol

enrolei-o nas mãos e esqueci
que lá o tinha metido
indelicadamente sombra
o meu corpo sucumbe
desemaranhado de mim

adiante um bar
talvez encaixe

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