calafrio em timbre
(procuro o brilho
dos dias)
aceno para longe
acendo a chama a meros
passos trocados
ouvem-se mais
e
mais arrastões
reboliços transviados
hesitações primaveris
arranco flores
antes do tempo
persistem num copo
alto,
à mercê da tua altura
(continua o brilho
dos dias)
olho-me sem rosto
vozes solícitas brindam
aos céus
desvanece o calor
na pele na testa
algo chega por detrás
do que se espera
uma nova verdade: desenterrada
ou fermentada na
despedida
a sensação engasga
falta
firmamento na algibeira
aumenta o som de fundo
procuro a sombra
dos dias
nem noite nem luar
nem uivo
nem
admite-se convicção
entre cervejas
improviso na reacção
mal me quer um estímulo
uma flor azul
um instinto em tons
de lilás
chega um impasse em forma
de nuvem
que se assombra
e
desvenda o brilho
dos dias
bem me quer um soslaio
um arrepio um
pressentimento
entre parêntesis